17.9.09

Benção em Silves, no meu bom trampo amazônico

Na primeira noite a gente viu uma estrela cadente enorme, no deck pequeno onde o rio batia e a gente falava do trabalho.

Na segunda noite, saindo do deck onde o rio batia e a gente falava do trabalho, peguei um pedaço de folha, porque sempre o faço e quando cheguei na luz vi que ele trazia uma flor.

Na terceira noite quando saia do deck na beira do rio onde falamos do passeio da tarde, pra ilha dos passaros sem passaros, onde nadamos em águas muito escuras e o boto nos rodeou, olhei para cima e vi um circulo de luz enorme envolvendo a lua.

Depois no bar contaram que o rio tem piranha. E que quem nasceu lá nunca nada lá.

Depois fui embora.

Mas parei numa casa de estudantes em Manaus para sentar um pouco antes de pegar o avião. E tomei breja e escutei o pessoal falar do banho de rio do dia seguinte.

16.9.09

a grama do vizinho

me diga por que a grama do vizinho é sempre mais verde?

por que o cara ali parece mais inteligente?

por que eu só fico sabendo dos bons sons dois ou tres anos depois que foram lançados?

não sei quem está em cartaz no teatro da cidade. o teatrão e a praça rosevelt.

e tem gente que escreve livros e reportagem.

tem uns que ganham dinheiro.

caraca.

que me resta?

sei dar jantar e banho nas crianças.

não li livros cabeções. não venha filosofar.

hoje falaram que meus emails tão secos. até isso. encurto frases. para que adornar?

que me resta?

sei lá.

run with me

corre corre corre corre.

uma dúvida. uma dúvida. baita dúvida.

E é algo muito importante.

6.9.09

EXU



Ganhou pinga hoje.

5.9.09

a próxima

eu não queria entrar. resisti o quanto pude. mas agora estou nela.

bela encrenca. nesta terça feira. e quarta também.

dois dias com professores de escola pública do interior de sp. querem olhar e avançar sobre o que eu não enxergo.

indisciplina, drogas, insinuações sexuais. e mais. e outras.

impotência. gente à deriva. ilhados.

mas vou. acabo de armar o plano de trabalho. até que ficou interessante.

mergulho agora, e entre idas e vindas, só volto à tona para respirar em dezembro, quando tudo acaba, ou começa.

3.9.09

a este

Volto. Sem pressa.

Sem pressa.

Depois de ter nadado no lago canaçari, o maior do rio amazonas, na ilha dos passaros, que não tinha passaros, mas era fim de tarde e estava quente, a agua preta e barrenta, cheia, muito cheia, e quente, quando pulamos, ana e eu, e nadamos, sempre perto da voadera, porque louco não somos, e ali ficamos, nadando, escutando a conversa de quem estava ainda no barco, e o boto apareceu e nos rodeou, rodeou, rodeou, aparecia por cima d'água, aqui e ali, nos circulando, e voltamos pro barco, pra um pouco de frio com o vento da volta, pro deck abençoado onde ana e eu conversavamos sobre o trabalho, sobre as mulheres da avive, sobre a amazonia, e tinha sempre estrelas por perto, e na cerveja já tarde da noite o nativo rondinelli nos contou que nadamos em casa de piranhas, que ele, nascido lá, nunca foi e nem seria insano de pular naquelas aguas. e rimos. e pedimos outra.