31.3.09
Passagem
Sabe aquele lance indígena de moleque entrar em casa de formiga, colméia de abelha, toca de onça, quebrar os dentes, furar a orelha, andar na brasa, ficar enterrado 5 dias e 4 noites durante o inverno ou ficar dependurado em cordas durante o verão? E depois disso virou adulto. Pois é. Acho que só agora vou chegando lá. Eta mundo moderno complicado. Ia ser tão mais simples se fosse como os indios.
25.3.09
Parado
Odeio feriados, ainda mais nessa terça feira, em Buenos Aires, aterrissei aqui para trabalhar, mas os boludos inauguram hoje um dia em memória ao Golpe Militar, para que no lo olviden, y ahora? Agora esse clima de domingo, esse ar parado, essas portas fechas, isso para mim é sempre uma melancolia extrema, o tempo que parece não parar, o eterno fim de tarde.
O almoço com Matias e sua bonita namorada, Flavia, salvou o começo da tarde, tudo bem que era uma pizza e a cerveja brasileira, Brahma, logo Brahma, mejor si fuera Skoll, mas conversamos e conversamos, ela e eu trocando idéias sobre Londres e meio ambiente, indo tão longe que chegamos a Oxossi.
E depois um nada, uma não fazer, um ritmo de oprimir qualquer paulista, mas assim foi. Me encontrei num escritório no meio do nada para fazer um pouco de nada com meus dois companheiros, para fingir que fazíamos alguma coisa. Aí o argentino que aqui me recebe, que com seus ideais cria conversas sobre Cuba e Venezuela no café da manhã, me levou à manifestação sobre o golpe. Aonde? Na Plaza de Mayo, claro. Pude ver um pouco da vieja argentina, San Telmo, a arquitetura dos cortiços, o obelisco lá no fundo. E aquele clima de Fórum Social Mundial fora do lugar, sem nenhuma graça, bandeiras vermelhas, os punks anarquistas, que gosto, mas como já disse neste blog que acho que já eram, perdidos, apenas uma moda, uma estética. Ninguém lê mais os anarquistas. Vontade de um quebra, de repente. Para quebrar aquela sensação quis que a polícia viesse pra cima. Eu correria, chutaria, gritaria. Claro que não veio. A Puerto Maderos entonces.
E o fenômeno se repete. Eu, um amigo, uma breja, desta vez a Patagônia, e conversa sobre pressas, tempos, causas, ideais, etc.
Adiós.
O almoço com Matias e sua bonita namorada, Flavia, salvou o começo da tarde, tudo bem que era uma pizza e a cerveja brasileira, Brahma, logo Brahma, mejor si fuera Skoll, mas conversamos e conversamos, ela e eu trocando idéias sobre Londres e meio ambiente, indo tão longe que chegamos a Oxossi.
E depois um nada, uma não fazer, um ritmo de oprimir qualquer paulista, mas assim foi. Me encontrei num escritório no meio do nada para fazer um pouco de nada com meus dois companheiros, para fingir que fazíamos alguma coisa. Aí o argentino que aqui me recebe, que com seus ideais cria conversas sobre Cuba e Venezuela no café da manhã, me levou à manifestação sobre o golpe. Aonde? Na Plaza de Mayo, claro. Pude ver um pouco da vieja argentina, San Telmo, a arquitetura dos cortiços, o obelisco lá no fundo. E aquele clima de Fórum Social Mundial fora do lugar, sem nenhuma graça, bandeiras vermelhas, os punks anarquistas, que gosto, mas como já disse neste blog que acho que já eram, perdidos, apenas uma moda, uma estética. Ninguém lê mais os anarquistas. Vontade de um quebra, de repente. Para quebrar aquela sensação quis que a polícia viesse pra cima. Eu correria, chutaria, gritaria. Claro que não veio. A Puerto Maderos entonces.
E o fenômeno se repete. Eu, um amigo, uma breja, desta vez a Patagônia, e conversa sobre pressas, tempos, causas, ideais, etc.
Adiós.
20.3.09
rima rica
Tê-la entre nós, e ela não é fada, ou acho que não é fada, porque as meninas que andam com pó mágico são sempre lindas e ela já carrega lá seus setenta anos, mas ela seria a mentora de um coletivo, outro coletivo, amigos em dúvida, coisas que se complementam, ele tem a teoria, leu hegel, lukacs e outros, eu tenho a prática, andei carpindo roças, e lembrei dela, sempre linda, que hoje esta na holanda estudando e desabrochando, fiquei tão feliz. e vermelho espelho é rima rica. várias brejas, várias brejas, e uma casquinha de siri par acompanhar. mas eu tomaria mais brejas, a prudencia nos trouxe para casa, reunião em são cristovão amanhã, o que será, mais um encontro, não me vejo desafiado, não me vejo no limite, uma pauta simples, uma mediação óbvia, que perigo isso, estou no piloto automático. e luiz e eu falamos das ilhas que querem as fábricas de plástico, o sujeito coletivo, a teoria crítica e os palhaços. como falei do palhaço, dos douotres da algria, do bobo de corte, da importância do nariz vermelho. entre outros entre outros entre outros....
Avizinhando
Tem coisas de anarquismos à minha volta. sujeitos, conversas, atos. Do cotidiano. Num almoço na semana ficou ressoando a frase de Gil: Pirataria é desobediência civil. Na Bahia, Salvador, Piatã, Sofá da casa de Luiz, falamos do antropólogo cartógrafo de movimentos sociais que não se enquadra em instituições. Ornou comigo, me identifiquei. Ando em tempos de desenquadros, desfoquadros é um projeto (outro, depois conto), nada fácil. Chances de manifestos, pequenos. Coletivos e cotidianos. Enfim, tenho que sair, depois continuo....
16.3.09
Noturno
Alguma tristeza no ar, já de noite, eu cansado e complicado, muito trabalho pela frente, para entregar até amanhã, red bull necessário, a música de Antony and the Johnsons é linda, mas melancólica, Carolina esta em silêncio, enfrenta durezas da vida, sérias, tristes, simplesmente tristes, coisas para as quais não temos respostas, ainda. Eu observo, trabalho, minha barba cresce, preocupa-me a grana e preocupa-me a vida, fazer algo bonito e com sentido, e importante e marcante, além disso ou aquilo. E escrevo mensagens honestas às pessoas e isso causa incômodos, mobilizações, reviravoltas. Eu sigo, em paz.
9.3.09
No ar!

Foi ao ar, finalmente. Ajustes serão necessários, sempre. Comentários são bem vindos.
www.ignaciodeloyolabrandao.com.br
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7.3.09
Jackeline
(Achei um texto antigo....e resolvi publicar.....)
O anel é de prata com bolas brilhantes. Batom vermelho. Boca manchada de beijo. Olhos cheios de chão. Pernas asfixiadas pela lycra. Pés na catapulta do salto alto. Boceta com pentelhos que não são seus, mas de seu ofício. Dinheiro que ganhou, que vai gastar amanhã e vai ficar dura de novo.
Saiu de casa quando brigou com a mãe. "Minha filha você é um anticoncepcional vencido, uma camisinha estourada, um aborto nascido!".
Nunca gostou. Minissaia para se proteger do frio da madrugada. Engole e não cospe. Virou rainha. Nunca gostou.
O anel é de prata com bolas brilhantes. Batom vermelho. Boca manchada de beijo. Olhos cheios de chão. Pernas asfixiadas pela lycra. Pés na catapulta do salto alto. Boceta com pentelhos que não são seus, mas de seu ofício. Dinheiro que ganhou, que vai gastar amanhã e vai ficar dura de novo.
Saiu de casa quando brigou com a mãe. "Minha filha você é um anticoncepcional vencido, uma camisinha estourada, um aborto nascido!".
Nunca gostou. Minissaia para se proteger do frio da madrugada. Engole e não cospe. Virou rainha. Nunca gostou.
4.3.09
A Leitura dos Quadrinhos

Lançamento do livro A Leitura dos Quadrinhos de Paulo Ramos. Para quem não sabe, Paulo tem o melhor blog sobre Quadrinhos na atualidade, confiram. Ele fez, tempos atrás, cuidadosa matéria sobre QUADROS.
Recomendo! Eu, infelizmente, não poderia ir. Estarei em Palmas - TO a dar aulas sobre avaliação de projetos na Unitins. Lugar interessante aquele, Palmas. Segunda vez que vou. Pelo visto, gostaram.
Sobre o lançamento:
Será no próximo sábado, dia
A livraria fica na Praça Roosevelt, 142, no centro de
3.3.09
En la calle paraguay
[Buenos Aires] Catre na sala, deitado sobre a colcha não muita limpa, mansidão de fim de tarde, parece interior, essa tranquilidade, a campaninha toca, Matias se vai pela porta afora, me crê dormindo, escuto una chica, curiosidade sempre, quem seria? como seria? volto a olhar para fora, um terraço incrível no apartamento, chão vermelho lá fora, velho, coisa que cheira a araquara ou matão ou lugar assim, um silêncio enorme cortado por vozes no céu, una pareja a conversar, fico intrigado, onde estão? saio, luz alaranjada no mundo, encontro num balcão acima do terraço o amigo argentino em conversa com una linda chica. nem tao linda assim, mas magra e tudo ao redor parece de uma leveza absoluta. Ela se encaixa, cabelos longos, morenos, boca larga. Hola! Hola! Trocamos gentilezas. Matias sempre está sorrindo, barba por fazer, como eu, ama Cuba e quer ler sobre o Ecosocialismo. Olho pro horizonte, me reencontro com um delicioso e antigo fetiche, ver a vida cotidiana dos outros pelas janelas, una rubia, las teles, siempre, fico olhando. Um casal em um sofá. A kombi amarela que admirei quando chegamos arranca e faz curva na esquina. Uma moto. Um menino de bicicleta.
Volto à conversa, que se encerra como deveria começar: ¿ Y tu cómo te llamas? Eugênia. Mucho Gusto, Daniel. Y volto para o catre a deixar passar o que seja.
Volto à conversa, que se encerra como deveria começar: ¿ Y tu cómo te llamas? Eugênia. Mucho Gusto, Daniel. Y volto para o catre a deixar passar o que seja.
1.3.09
Em trânsito
Andarei em viagens, semana em outros lugares, diferentes daqui onde estou, diferentes entre si. Queria era ficar parado e calado, impossível será. Tem reuniões que me aguardando e aulas que me esperam. O inverso do que preciso neste instante. Mas ok, assim será. Até.
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