Tô numas de deletar esse blog. Sei não. Achando ele uma baita babaquice.
Não tive Falcon quando era moleque, acho que isso me traumatizou.
Não tive banda de rock na adolescência. Não sei tocar nada, ou melhor, porra nenhuma. Já tentei. Violão, claro e depois saxofone, tenor, inspirado no Dexter Gordon depois de assistir ao filme Round Midnigth. Já ouviram essa trilha? Duca! Eu vi o cara tocar em sampa, no Free Jazz, quando era jazz aquela bagaça que não existe mais. Ou melhor, não sei se vi. Na boa, não lembro mesmo. Porque uma noite (eu ia em várias) alguém faltou e os caras substituiram o show com palas de todo mundo que tava lá. Só fera. Não vou citar, porque isso é babação intelectual e porque não lembro direito. O que o Free Jazz fez de pior, no pouco que acompanhei atualmente, foi colocar a Bjork, já na versão Tim Festival, pra cantar num estacionamento a la show de rock'n roll. Matou a menina, não rolou ni en pedo boludo.
Voltando ao Round Midnigth e ao saxofone tenor... Hoje, na boa, acho que o sax fora do jazz é a coisa mais cafona do universo. Tem algo mais brega que aquele Keny G (escreve assim o nome dele? Nem vou dar google pra conferir, fica iletrado mesmo, digno da música de novela das oito do sbt). E tocar jazz é muito mais complicado do que qualquer outra coisa. Ou seja, ainda bem que desisti de sax.
Na capoeira eu nunca me arrisquei no pandeiro ou no berimbau. Mas o rabo de arraia até que não me saia mals...
Fico pensando na milhares de coisas que quero fazer e que nunca faço. Já era, já foi ou sei lá.
30.4.09
14.4.09
Bacana, acho que vou....
Seminário Cultura visual e educação:
debates em torno da pedagogia das imagens
Profa. Dra. Inés Dussel
Facultad Latinoamericana de Ciencias Sociales
(FLACSO) - Argentina
A inscrição (obrigatória, sem taxa) com a Betinha:
Programa de Estudos Pós-Graduados em Educação: História, Política, Sociedade
Rua Ministro Godoi, 969 sala 4E19
São Paulo - SP
tel.: (11) 3670-8510
e-mail: ehps@pucsp.br
6.4.09
Burning FANGORIA !!

1984. O ano não era exatamente como George Orwell escreveu, mas fora quase. Me lembro da campanha das Diretas Já, da qual participei alienado, moleque que era, de um comício em Campo Grande (MS), levado pela minha mãe. A camiseta amarela "eu quero votar pra presidente" eu tenho até hoje. E naquela época eu entrei um dia na Livraria Siciliano com meu pai. A livraria era boa, muito boa. Hoje é terrível. Não sei, mas acho que se uniu à Saraiva, que também é péssima, por maior megastore que seja. Nunca, juro, encontrei um livro lá. E os atendentes nada entendem de livros. Uns dois anos atrás, no mestrado, procurei um de Paulo Freire (Pedagogia da Esperança), o moço me olhou e perguntou: que tipo de livro ele escreve....? É claro que não tinha. Enfim, entrei naquela saudosa boa livraria e fiquei olhando as revistas importadas, coisa raríssima de se encontrar naqueles tempos. E folhando aqui e ali achei um exemplar de uma publicação que me marcaria a vida: Fangoria! Era uma edição especial, com as melhores reportagens do ano, intitulada The Bloody Best of Fangoria. Pirei, literalmente. Meu pai comprou. E eu passei a folear aquela maravilha cotidianamente durante anos e anos. Eu não lia, não sabia inglês e isso não interessava. O lance eram as imagens.
Reportagens sobre The Evil Dead (o primeiro), Gates of Hell, Thriller (de Michael Jackson!) e outros. Entrevista com Tom Savini, o papa da maquiagem de horror. Sim, era uma revista sobre filmes de terror. As fotos eram só sangue. Cabeças cortadas, esqueletos, fantasmas, zumbis, assassinos, mutantes, tudo o que existe de horrível no cinema. Tudo. E ela trazia algumas páginas em papel jornal, preto e branco, fantástica estética tosca. Lindo. Foi paixão absoluta.
Desde então sempre que meu pai ia aos Estados Unidos (o que não era frequente) ou eu ia à Siciliano (o que não era frequente) eu pedia ou buscava um novo exemplar. E assim fui construindo a minha bela coleção. Invejável a qualquer um, cheguei a mais de 20 exemplares, creio que uns 25. Alguns históricos, antológicos. E continuei sem ler, nunca, só rolar as páginas, ver fotos, desejar uma mascara ensanquentada anunciada na quarta capa, um curso de maquiagem de horror, admirar posteres antigos reproduzidos em pb. Vicent Price em entrevistas. Também não li.
Mas em algum momento a coleção parou de crescer. Os exemplares mais modernos, do final dos 80, deixaram de ser atrativos para mim. Estacionei naquelas revistas que já tinha e com elas fiquei. Cuidei bem. Certa época coloquei em saco plastico para proteger. Organizei por número e ano de edição. Pensei no valor histórico daquilo, em mostrar ao meu filho (se fosse menina não sei se mostraria...), em doar para uma biblioteca, em vender a um aficcionado e fazer uma grana. Nela me inspirei para bolar filmes de terror nunca realizados, como o do homem do esgoto, que era sobre sujeito que trabalhava numa fábrica de privadas, tipo Deca, cai num grande balde de cimento e é sintetizado junto com o material. A partir daí ele aparece nos banheiros, enquanto as pessoas cagam, a minha imagem idealizada era uma mão saindo da privada, e minha fantasia eram as mulheres sentadas no vaso com as calcinhas abaixadas...
E as carreguei para onde fui. Para todas as casa onde morei, sempre me preocupei, estava conectado com elas de alguma maneira. Menos em anos recentes. Elas ainda habitavam a minha estante, mas sem tanta aproximação.
Até que neste sábado fui a uma bela sessão com o grande xamã sensei Ichiro. E foi um belo encontro, com um grupo reduzido de pessoas, todas especiais. Insisti com a planta mestra, que me exigiu vários goles antes de apresentar sua força. E em algum instante caveirinhas rodaram ao meu redor. E um rato preto de olho vermelho quis dar o ar da graça. Até que entendi algo. Ou acho que entendi ou criei um símbolo de compreensão, ou sei lá, porque nestes planos nada é simples. Mas o ciclo de Fangoria tinha chegado ao fim. Elas ali paradas, empilhadas, ficavam acumulando morte. E eu carregava isso desde os doze anos. Era a hora de encerrar. E nada de vender e ganhar uma verba (coisa possível agora que a publicação comemora 30 anos e deve ter um monte de interessados nestas coleções) ou dar para alguém ou etc. Era para queimar. Colocar fogo.
E assim, neste belo domingo de manhã, debaixo do sol que antecedeu a chuva forte da tarde, no local onde antes era a horta, fiz um buraco e nele Pedro e eu jogamos as revistas para arder no fogo.
Bye Fangorias!
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