Estou em Rondonia. Lembrei que a primeira vez que vim para cá eu vi um fantasma.
Viajamos quase o dia todo rumo a Machadinho D´Oeste. Pegamos as estradas de terra para ver o desmatamento e fugir do asfalto arrebentado da BR. Saculejamos horas e horas. Estacionamos no hotel. O pessoal entrou. Eu também. Voltei logo depois para pegar minha mochila. Um moça linda, sentada numa escada olha para mim. Nossa como ela era linda! Alta, esguia, cabelos longos. "Eu não tenho lençol, você me arruma um lençol?" Que pergunta estranha. Ela levantou, atravessou pelo pátio do estacionamento e desapareceu.
Eu não sabia que existiam fantasmas tão bonitas.
31.3.08
20.3.08
Indicadores
Preciso me preparar, estudar. Essa semana coordenarei uma oficina sobre indicadores de educação ambiental. Sempre um desafio isso. E o tempo pra estudo é sempre a madrugada....
Mas eu durmo, não consigo.
Indicadores, tanto se fala neles. Viraram mito. Estão no altar. Vou criar uma seita, ou igreja, virar pastor ou obreiro, cultuar o indicador maior, seu filho, seu espirito santo. Falam dele, sempre. Perguntam, não entendem, como os deuses. São desejados. Demais. Em excesso. Incompreendidos, no fundo.
Mas eu durmo, não consigo.
Indicadores, tanto se fala neles. Viraram mito. Estão no altar. Vou criar uma seita, ou igreja, virar pastor ou obreiro, cultuar o indicador maior, seu filho, seu espirito santo. Falam dele, sempre. Perguntam, não entendem, como os deuses. São desejados. Demais. Em excesso. Incompreendidos, no fundo.
Segredo
Trabalho num projeto secreto. He he he. Eu que inventei.
Óbvio que em breve será público.
Um experiência.
Óbvio que em breve será público.
Um experiência.
17.3.08
16.3.08
TRHRGUBNUUUMGHGNNUUUU
Buuuuuum! O Sziña tá preso!
Bum.
Tulio me falou esses dias.
Agora que o Japa tá solto. Tá na rua, mas no perreio é claro. Vai ser pai. Vi seu barraco, de fora, coisa rápida a noite ao passar pelo alto da rua a sua casa lá em baixo num cubículo sem sol sem janela nada uma porta que dá vista prum muro. Essa é a paisagem dele.
Japa não sai mais a noite. Acho que ficou quase uns sete meses na cadeia.
A Marina se dedicou a esse caso. Brigou bem e o Japa ganhou a rua. Valeu menina!
Agora o Tulio me fala do Sziña. A mesma acusação, o mesmo motivo que leva a molecada pro ralo aos borbotões. Caraco. Merda.
Parece que foi na Favela do Buraco Quente. Os avós tinham o expulsado de casa. Rodou. No 12, dizem.
E o cara é foda, ponta firme demais. A gente ia ainda fazer um filme pro festival do minuto. Roteiro meu e dele, e tudo o mais.
Sei lá o que fazer.
Que merda esse ralo que draga essa moçada. Meu que merda.
Bum.
Tulio me falou esses dias.
Agora que o Japa tá solto. Tá na rua, mas no perreio é claro. Vai ser pai. Vi seu barraco, de fora, coisa rápida a noite ao passar pelo alto da rua a sua casa lá em baixo num cubículo sem sol sem janela nada uma porta que dá vista prum muro. Essa é a paisagem dele.
Japa não sai mais a noite. Acho que ficou quase uns sete meses na cadeia.
A Marina se dedicou a esse caso. Brigou bem e o Japa ganhou a rua. Valeu menina!
Agora o Tulio me fala do Sziña. A mesma acusação, o mesmo motivo que leva a molecada pro ralo aos borbotões. Caraco. Merda.
Parece que foi na Favela do Buraco Quente. Os avós tinham o expulsado de casa. Rodou. No 12, dizem.
E o cara é foda, ponta firme demais. A gente ia ainda fazer um filme pro festival do minuto. Roteiro meu e dele, e tudo o mais.
Sei lá o que fazer.
Que merda esse ralo que draga essa moçada. Meu que merda.
12.3.08
Mas correu tudo bem................
OLA GALERA…………………………. NUM TENHO MUITO O Q DIZER POIS A BIA FALOU ALGUMAS COISAS Q ACONTECEU aqui MAS BLZ…………………………………NA QUINTA PASSADA FUI COM UM GAROATO FAZER VISITAS NOS BAIRROS PEGEUI UM GAROTO COMPLICADO O CARA É TRAFICANTE TRABALHA A NOITE EU EU ACORDEI ELE ELE TINHA ACABADO DE IR DORMIR ELE FICOU BRAVO…………………………………………………………………………….MAS CORREU TUDO BEM………………………………………………………..
BJUS TCHAUL……………………………………………………….
Junho, 2007.
Post de Jéssica, que foi rainha no escritório por um tempo.
Blog exclusivo do grupo que estava envolvido no estudo sobre adolescentes em conflito com a lei.
Adolescentes em correrias eram os pesquisadores e os pesquisados. Loucura geral.
Jéssica diz que gostou de "Colecionador de Pedras", de Sérgio Vaz. Dei a ela outro livro, que acho que nunca irá ler. Não por ela, mas é que o livro deve ser chato. Sei lá. Edward Bunker. Nunca li tb. Foda-se.
Animal. Essa velocidade e essa bagunça toda. No texto. E nela e neles todos. E a gente também andou fora do lugar.
Acabou. Preciso de outra. Mas ainda estou cansado. Foda-se. Tô sem grana. O mar tá flat.
BJUS TCHAUL……………………………………………………….
Junho, 2007.
Post de Jéssica, que foi rainha no escritório por um tempo.
Blog exclusivo do grupo que estava envolvido no estudo sobre adolescentes em conflito com a lei.
Adolescentes em correrias eram os pesquisadores e os pesquisados. Loucura geral.
Jéssica diz que gostou de "Colecionador de Pedras", de Sérgio Vaz. Dei a ela outro livro, que acho que nunca irá ler. Não por ela, mas é que o livro deve ser chato. Sei lá. Edward Bunker. Nunca li tb. Foda-se.
Animal. Essa velocidade e essa bagunça toda. No texto. E nela e neles todos. E a gente também andou fora do lugar.
Acabou. Preciso de outra. Mas ainda estou cansado. Foda-se. Tô sem grana. O mar tá flat.
10.3.08
Movimento Hip Hop da Floresta (MHF)
Nas ribeiriferias de Porto Velho (RO) o pessoal do Hip Hop sacou que lá o movimento deveria ter uma cara diferente, uma pegada local e não buscar se fazer cópia de paulistas e cariocas. Assim articularam o Movimento Hip Hop da Floresta (MHF) que traz para o hip hop os elementos da Amazônia e cria o Hip-Hopzônia.
Saudam e festejam os caboclos e cablocas! Defendem a florestania (floresta + cidadania)! Entre outras 10 teses de seu manifesto.
Sensacional.
E os caras estão agitando geral. Edjales Fama, uma dos líderes, tá puxando um monte de conferências livres da juventude. E elas são nas quebradas da cidade, nas reservas extrativistas com jovens seringueiros ou em terras indígenas com os jovens indíos. Coisa linda, novas olhares e novas vozes.
E também está agitando a qualificação do atendimento de adolescentes em medidas sócio educativas em meio aberto, me chamou prum papo com os educadores de lá. Deve rolar mês que vem, e é claro que levarei os Quadros, nesta que será a primeira excursão do método para fora de SP. Na verdade o método é ainda inédito, vem a público só em maio, mas prometo que antes disso solto um post explicando que raio é esse que sempre permeia meus comentários.
E claro que tem o som. Ouvi umas rimas deles por lá, coisa fina. Bem feita, tratada. Tem categoria. Tentei agitar com o Xis umas demos pra trazer e jogar na mão do Gui Werneck (Discofonia) para ele fazer um pod só de Hip Hopzônico. Não rolou, ainda. Desencontros. Mas vai rolar talvez em abril quando estou por lá outra vez. Aí sentamos ao redor duma mesa, mandamos uma carne de peixe do Madeira, tomamos umas brejas geladas e conversamos sobre as ribeiriferias e suas artes. (Sobre ribeiriferia: ver o tag glossário deste blog.)
Quem quiser sacar mais do MHF, que tá ligado ao Movimento Hip Hop Organizado Brasileiro (MHHOB) manda um e mail pro Edjales Fama: edjales.fama@ig.com.br.
Saudam e festejam os caboclos e cablocas! Defendem a florestania (floresta + cidadania)! Entre outras 10 teses de seu manifesto.
Sensacional.
E os caras estão agitando geral. Edjales Fama, uma dos líderes, tá puxando um monte de conferências livres da juventude. E elas são nas quebradas da cidade, nas reservas extrativistas com jovens seringueiros ou em terras indígenas com os jovens indíos. Coisa linda, novas olhares e novas vozes.
E também está agitando a qualificação do atendimento de adolescentes em medidas sócio educativas em meio aberto, me chamou prum papo com os educadores de lá. Deve rolar mês que vem, e é claro que levarei os Quadros, nesta que será a primeira excursão do método para fora de SP. Na verdade o método é ainda inédito, vem a público só em maio, mas prometo que antes disso solto um post explicando que raio é esse que sempre permeia meus comentários.
E claro que tem o som. Ouvi umas rimas deles por lá, coisa fina. Bem feita, tratada. Tem categoria. Tentei agitar com o Xis umas demos pra trazer e jogar na mão do Gui Werneck (Discofonia) para ele fazer um pod só de Hip Hopzônico. Não rolou, ainda. Desencontros. Mas vai rolar talvez em abril quando estou por lá outra vez. Aí sentamos ao redor duma mesa, mandamos uma carne de peixe do Madeira, tomamos umas brejas geladas e conversamos sobre as ribeiriferias e suas artes. (Sobre ribeiriferia: ver o tag glossário deste blog.)
Quem quiser sacar mais do MHF, que tá ligado ao Movimento Hip Hop Organizado Brasileiro (MHHOB) manda um e mail pro Edjales Fama: edjales.fama@ig.com.br.
6.3.08
JUÍZO: quando a realidade parece ficção
Entra em cartaz neste mês de março o filme " JUÍZO" de Maria Augusta Ramos. A sinopse diz o seguinte:
Juízo acompanha a trajetória de jovens com menos de 18 anos de idade diante da lei. Meninas e meninos pobres entre o instante da prisão e o do julgamento por roubo, tráfico, homicídio.Como a identificação de jovens infratores é vedada por lei, no filme eles são representados por jovens não-infratores que vivem em condições sociais similares.Todos os demais personagens de Juízo - juízes, promotores, defensores, agentes do DEGASE, familiares - são pessoas reais filmadas durante as audiências na II Vara da Justiça do Rio de Janeiro e durante visitas ao Instituto Padre Severino, local de reclusão dos menores infratores.Juízo atravessa os mesmos corredores sem saída e as mesmas pilhas de processos vistas no filme anterior de Maria Augusta Ramos, o premiado Justiça. Conduz o espectador ao instante do julgamento para desmontar os juízos fáceis sobre a questão dos menores infratores. Quem sabe o quê fazer?As cenas finais de Juízo revelam as conseqüências de uma sociedade que recomenda "juízo" a seus filhos, mas não o pratica.
O filme já participou de vários festivais internacionais. É interessante que seu press release (versão em pdf, disponível no site) funciona como um caderno que debate a questão da justiça e do adolescente em conflito com a lei. O primeiro texto, por exemplo, chama-se ECA - 18 anos. O trabalho aparenta sensibilidade e profundidade no tratamento da questão. Ainda não vi o filme, mas já o considero obrigatório. Vejam mais informações no site http://www.juizoofilme.com.br/
Juízo acompanha a trajetória de jovens com menos de 18 anos de idade diante da lei. Meninas e meninos pobres entre o instante da prisão e o do julgamento por roubo, tráfico, homicídio.Como a identificação de jovens infratores é vedada por lei, no filme eles são representados por jovens não-infratores que vivem em condições sociais similares.Todos os demais personagens de Juízo - juízes, promotores, defensores, agentes do DEGASE, familiares - são pessoas reais filmadas durante as audiências na II Vara da Justiça do Rio de Janeiro e durante visitas ao Instituto Padre Severino, local de reclusão dos menores infratores.Juízo atravessa os mesmos corredores sem saída e as mesmas pilhas de processos vistas no filme anterior de Maria Augusta Ramos, o premiado Justiça. Conduz o espectador ao instante do julgamento para desmontar os juízos fáceis sobre a questão dos menores infratores. Quem sabe o quê fazer?As cenas finais de Juízo revelam as conseqüências de uma sociedade que recomenda "juízo" a seus filhos, mas não o pratica.
O filme já participou de vários festivais internacionais. É interessante que seu press release (versão em pdf, disponível no site) funciona como um caderno que debate a questão da justiça e do adolescente em conflito com a lei. O primeiro texto, por exemplo, chama-se ECA - 18 anos. O trabalho aparenta sensibilidade e profundidade no tratamento da questão. Ainda não vi o filme, mas já o considero obrigatório. Vejam mais informações no site http://www.juizoofilme.com.br/
2.3.08
Medo e delírio
O que eu queria fazer era descrever/ sistematizar a experiência de trabalho do ano passado, quando avaliei um projeto que apoiava o desenvolvimento de medidas sócio-educativas em meio aberto (LA e PSC). Enfim, nos metemos em mata virgem, contratamos 8 jovens que estavam cumprindo medidas, ou seja, tinha histórico com o crime (roubo e tráfico, no geral) pra compor a equipe de trabalho. Tudo muito intenso, adrenalina total. Teve o desenvolvimento do método Quadros no meio do caminho. Muita coisa anotada em diários de bordo. O que eu queria era organizar isso e fazer um texto que ficasse aí, pra quem quisesse fazer coisa parecida ou só tivesse interesse na experiência. Nada acadêmico. Seria "poética-crítica". Mas com pegada muito mais a la Hunter Thompson em Las Vegas do que qualquer outra coisa. Pretensão - nota-se - tenho muita. E tenho certeza que depois eu vou tomar pau, virão pesquisadores ortodoxos e me darão porrada. Aconteceu isso em 2007, duas vezes, dois projetos. Acho que to criando trauma. A gente aprende, mas urgh, na boa, rola uma arrogância com métodos que desvencilham eles da realidade. Enfim, aqui é nóis. Mas como dar conta? Parace que falta tempo demais. Mas vamos ver. O resultado de todo o trabalho feito sai em maio no livro Vozes e Olhares: uma geração nas cidades em conflito que será lançado durante um seminário que discutirá medidas sócio educativas.. Mas é só o resultado, não tem os bastidores. Enfim, muita coisa. Penso em lançar uns posts com fragmentos deste material (eu vou sempre requentando coisas). A ver, a ver....
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